5/28/2011

Leitura Dramática: a literatura circulando...

Nesta postagem compartilho imagens do projeto Leitura Dramática: Revelando a Dramaturgia Brasileira para Jovens Leitores e suas Comunidades, selecionado pela Bolsa FUNARTE de Circulação Literária, portanto totalmente financiado pelo MinC. O projeto conta com Oficinas de Leitura Dramática (para um grupo de 30 participantes) e com Sessões de Leitura Dramática abertas à Comunidade.

As cidades de Iraí/RS, Três Passos/RS e Três Barras/SC já receberam o projeto. No final de junho jovens leitores de Presidente Venceslau/SP terão a oportunidade de participar das atividades previstas no projeto.

Meu agradecimento sincero aos apoiadores do projeto. Percebi, nas andanças pela região Sul e agora, organizando as atividades em Presidente Venceslau/SP, que há muitas pessoas interessadas em promover a ascensão de nossos jovens leitores, do plano rés-do-chão do texto informativo para os andares superiores do texto literário, "emancipador" por natureza.
O projeto conta com Oficinas de Leitura Dramática (para um grupo de 30 participantes) e com Sessões de Leitura Dramática abertas à Comunidade, focalizadas nas imagens abaixo. Nos próximos dias postarei imagens das oficinas.
 

2/23/2011

Fome de quê?


Na fase de pré-produção do espetáculo teatral Bazar de Poesia, como de costume, enviamos uma mensagem por e-mail aos conhecidos de diversas instituições (secretarias de educação, secretarias e departamentos de cultura, organizadores de feiras de livros, de eventos literários, unidades do SESC/RS, universidades, produtores locais, etc.) com notícias de nosso novo “empreendimento artístico-cultural”. O retorno que obtivemos foi animador, as respostas vieram com palavras encorajadoras (sim, é preciso um tanto de coragem para continuar na atividade artística!), e alguns já querem reservar datas para o espetáculo circular por sua cidade e região.

Contudo, a resposta do secretário de educação de um município do RS, deixou-nos apavorados. Respondeu-nos ele: “Neste ano estamos nos preocupando com a alimentação de nossas crianças. Não teremos recursos para investir em ‘leitura, literatura, poesia e teatro’, como seu e-mail sugere. A meta definida junto a nossos professores nas reuniões de planejamento anual é alimentar com qualidade as nossas cr
ianças. Além do mais, a peça que vocês estão montando fala de algo muito distante dos alunos do município, se pelo menos o tema do espetáculo fosse as drogas, o alcoolismo, a violência, quem sabe faríamos um esforço no sentido de viabilizar as apresentações da peça em nossa cidade. Além disso, não temos uma casa de teatro para as apresentações.”

Compreendemos que muitos municípios não possuem condições de viabilizar a circulação de espetáculos teatrais pelas suas cidades e regiões, há dificuldades de naturezas diversas: baixa arrecadação, catástrofes relacionadas ao clima, entre outras. Mas as palavras do secretário não versam sobre isso e o município em questão não se enquadra nos quesitos que levantamos, pois o mesmo se localiza em uma região que há muito tempo não é judiada pela seca, ou pelas enchentes ou pelo frio em exagero.


O que percebemos nitidamente na resposta do secretário é a falta de compreensão de questões fundamentais em torno dos temas Leitura, Literatura e Poesia que, articulados e somados à linguagem teatral que estamos buscando, convergem nas cenas do espetáculo Bazar de Poesia. Não compreende o secretário de educação (e acredito que não compreenderá essa analogia) que há outro tipo de alimento que precisamos oferecer às nossas crianças e jovens, que os nutrirá enquanto cidadãos pensantes e críticos. Não compreende também que as substâncias que provêm da Arte e da Literatura não resultam em aumento de peso e de energia física, mas aumentam consideravelmente a sensibilidade, a capacidade de compreensão do mundo, das relações sociais e políticas... Nem imagina o caro secretário que, segundo diversos especialistas na área da Educação e Leitura, a tarefa mais importante da escola brasileira é promover o encontro entre as crianças e a literatura.


O discurso do secretário lembrou-nos dois depoimentos sobre poesia que nos orientaram nos estudos preparatórios para a montagem da peça Bazar de Poesia. Mesmo sabendo que nosso interlocutor primeiro não os compreenderá, vou transcrevê-los como provocação a sua mensagem. O primeiro é do poeta José Paulo Paes, para quem “a poesia (no seu sentido amplo) está a serviço de mostrar a perene novidade da vida e do mundo; atiçar o poder de imaginação das pessoas, libertando-as da mesmice da rotina; fazê-las sentir mais profundamente o significado dos seres e das coisas; estabelecer entre estas correspondências parentescos inusitados que apontem para uma misteriosa unidade cósmica; ligar entre si o imaginado e o vivido, o sonho e a realidade, como partes da nossa experiência de vida” (1996). O segundo é da pesquisadora Marina Marcondes Machado, que afirma: “Se a ciência deve ser reelaborada a cada nova descoberta dos homens, a poesia parece estar inserida em outro mundo possível, onde a referência pragmática não é necessária, onde a imagem sobrevive ao tempo, onde os estados contraditórios da alma podem coexistir e, de maneira lúdica e paradoxal, emocionar de formas variadas viventes de todas as épocas e em qualquer lugar do mundo” (2004).


Ficamos nos perguntando: o que quer realmente dizer o nobre secretário, quando afirma que a peça que estamos montando tematiza algo distante dos alunos de sua cidade? Não são eles seres humanos (e por isso mesmo) sedentos pela arte e por tudo mais que possa lhes despertar os sentidos, o conhecimento, a imaginação e o senso artístico? Parece que sua afirmação procura negar essa característica intrínseca dos seres humanos “de todas as épocas e de qualquer lugar do mundo”, e que se potencializa quando estamos falando de crianças e jovens. A postura do secretário lembra a postura de colegas da professora Tânia Rösing que, nos anos 80, vendo-a oferecer livros literários infantis à população carente de Passo Fundo afirmavam que “os pobres não querem saber de livros”. Esse gesto, somado a muitos outros, resulta hoje em um projeto ímpar de formação de leitores, encabeçado pela professora e sua equipe, projeto que ganha dimensão nacional como podemos verificar a cada edição das Jornadas de Literatura de Passo Fundo. A postura do secretário lembra também o comentário de uma professora, na época em que o MEC distribuiu a cada aluno brasileiro um kit com livros literários (ação principal do Projeto Literatura em Minha Casa). Afirmou ela que se tratava de um desperdício, pois na sua visão “pobres não sabem dar valor ao livro, vão acabar vendendo para reciclagem”, já que a maioria de seus alunos eram “filhos de papeleiros”, como afirmava ela, com desprezo.

E por fim, sobre o fato de o espetáculo Bazar de Poesia não tratar pontualmente dos temas sociais citados na mensagem que recebemos, temos a dizer: “Caro secretário, ofereça aos jovens e crianças a oportunidade de crescerem nos aspectos que listamos nos parágrafos anteriores e tenha certeza de que os vícios e a violência reduzirão consideravelmente. E sobre o fato de seu município não possuir uma sala apropriada para apresentações teatrais, saiba o senhor que existem produções de qualidade pensadas justamente para espaços alternativos, pois o que seria da população, se ter uma casa de espetáculos fosse pré-requisito para que as montagens circulassem estado a fora? Respondemos: se dependessem deste quesito, 96% das cidades gaúchas não receberiam peças teatrais. E já pensou que desastre seria, se além de não terem a casa de teatro, os secretários desses municípios pensassem como o senhor? Catastrófico, não?”

Fabiano Tadeu Grazioli

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Publicado no Jornal Diário da Manhã, 23/02/2011 (p. 03) e no
Jornal Bom Dia, 26, 27 e 28/02/2011 (p. 05).


7/14/2010

Pós-graduação Lato Sensu em Tecnologias Pedagógicas para a Educação

Disciplina: Literatura, hipertexto, hipermídia

Professor Fabiano Tadeu Grazioli

Site para ser explorado nas atividades a seguir:

http://literal.terra.com.br/ferreira_gullar/

Atividade 01

Após acessar o poema Formigueiro responda:

a) Procure descrever a construção do poema em questão, atentando, entre outras coisas, para a disposição das letras a partir do clic na formiga, ou dos clics contínuos na formiga. Que imagem as letras parecem formar frente aos nossos olhos? É possível identificar palavras e frases ali? Tais palavras e frases, se ali podem ser observadas, formam um poema? Comente/exponha/argumente.

b) Em que o referido poema se diferencia dos demais, considerando a aproveitamento dos recursos do hipertexto e da hipermídia disponíveis para a elaboração de ciberpoemas?

Atividade 02:

Após acessar o poema Mar azul comente a utilização da cor azul na construção do referido ciberpoema;

Atividade 03:

O poema Girassol, embora seja bastante simples, utiliza o recurso do movimento (conhecido como arte cinética). Comente a utilização deste recurso.

Atividade 04:

Após realizar as atividades propostas, e explorar devidamente cada um dos ciberpoemas você terá oportunidade de relacioná-los aos textos teóricos lidos como atividade extraclasse de nossa disciplina. Escolha pelo menos um conceito[1] (uma ideia, um pensamento, um aspecto) de cada texto teórico e “aplique” a um ciberpoema de Ferreira Gullar, tecendo considerações, expondo conclusões, idéias, pensamentos...

Atividade 05:

De acordo com os estudos, as experiências e as leituras realizadas na disciplina Literatura, hipertexto e hipermídia, responda: em que se diferencia a leitura realizada na tela do computador em relação à leitura realizada no papel? Elabore uma resposta utilizando como exemplo um ciberpoema que se encontra nos sites explorados no último encontro.

Atividade 06:

Tendo em vista as nossas experiências de leitura a partir da canção Geni e o Zepelin, de Chico Buarque de Holanda, o que você conclui sobre a utilização do Youtube nas práticas de leitura que envolvem literatura e cinema?

Questões pessoais (não pontuam):

Você já tinha conhecimento das experiências literárias no mundo virtual?

O que acha da possibilidade de se ler/fruir a literatura e as demais artes no ambiente virtual?



[1] É claro que é possível comentar mais do que um aspecto de cada texto.

7/09/2010

Sugestões

FAE - FACULDADE ANGLICANA DE ERECHIM

Pós-graduação Lato Sensu em Tecnologias Pedagógicas para a Educação

Disciplina: Literatura, hipertexto, hipermídia

Professor Fabiano Tadeu Grazioli

Algumas sugestões para navegação e exploração (10/07/2010 – Turno Manhã)

http://www2.uol.com.br/augustodecampos/poemas.htm

http://www.angela-lago.com.br/

http://www.ciberpoesia.com.br/

http://concretismo.zip.net/

http://www.albumpalavra.com.br

http://www.google.com.br/imghp?hl=pt-BR&tab=wi

http://www.youtube.com

Nos dois últimos sites digitar concretismo, poesia concreta, ciberpoesia, ciberpoema

4/16/2010

Na falta de tempo de escrever...

...achei que devia postar esse poema, absurdamente interessante:

"Aos cinco anos meu pai me ensinou
O trágico-feio riso dos espantalhos
- Vai, toma teu lugar no milharal!
Eu fui.
Orgulhoso-contente
Dos meus trajes remendados.
Meu pai não me falou do sol.
Meu pai não me falou da chuva.
Meu pai não me falou do vento.
Das geadas ou do silêncio extremo.
Da madrugada, meu pai não disse palavra.
Minha mãe tinha os olhos tristes
De quem antevê tempestade."

O espantalho
Walther Moreira Santos

11/30/2009

Professor da FAE é contemplado com bolsa da FUNARTE

Fabiano Tadeu Grazioli, professor do Curso de Pedagogia da FAE e Ensino Médio do Instituto Anglicano Barão do Rio Branco foi contemplado com uma Bolsa de Produção Crítica sobre Conteúdos Artísticos em Mídias Digitais/Internet, concedida pela FUNARTE – Fundação Nacional de Arte. Trata-se de uma iniciativa do Governo Federal, por meio do Ministério da Cultura, cujo objetivo é o aperfeiçoamento da formação de críticos de arte no país, voltados para as mídias digitais/internet.

No contexto do programa que concedeu a bolsa ao professor Fabiano, entende-se como conteúdos artísticos em mídias digitais/internet toda a produção relacionada a artes visuais, dança, circo, teatro, performance, fotografia, música, audiovisual e literatura, baseada em computadores e suas possíveis extensões, cujo armazenamento, difusão ou exposição também se baseiam nessas tecnologias. O programa cria condições financeiras, ou seja, destina a cada contemplado uma quantia significativa em dinheiro (no caso desta bolsa, são R$ 30.000,00), para a realização de uma pesquisa, resultado de um projeto anteriormente apresentado à FUNARTE. Dessa maneira o Ministério da Cultura aproveita a especialização e a disposição dos profissionais para a realização de pesquisas e viabiliza a produção de conhecimento acerca da atual arte brasileira e o acesso e a reflexão crítica e teórica da mesma.

O projeto contemplado intitula-se: “Leitura e fruição na tela: um olhar crítico em direção à ciberpoesia”. Fabiano Tadeu Grazioli afirma que a ciberpoesia é uma manifestação artística da contemporaneidade e demanda muito estudo: “há muito que se refletir, se analisar e se escrever sobre essa expressão literária, há muito que se esclarecer sobre esse tema aos professores e mediadores de leitura, quando há uma tendência de se desconsiderar, para fins de formação do leitor, a leitura realizada na tela do computador”. Sobre o seu contato com esse tema, o professor comenta: “Primeiro entrei em contato com a ciberpoesia como leitor, em especial em um site do Sérgio Caparelli que há muitos anos produz e estuda ciberpoesia (http://www.ciberpoesia.com.br). No Mestrado em Letras da UPF, que cursei em 2006-2007, estudei esse tema nas disciplinas ministradas pelo professor Doutor Miguel Rettenmaier da Silva. Embora tenha escrito e defendido dissertação sobre o tema Leitura da Dramaturgia, escrevi e publiquei alguns trabalhos acadêmicos sobre o ciberpoesia, e desde então acompanho publicações e novas criações nessa área. Um estudo que fiz sobre um site intitulado ‘O poeta visual’ foi publicado no início do ano na Revista de Poesia Infantil Tigre Albino (http://www.tigrealbino.com.br), estudo este que foi decisivo na seleção, pela FUNARTE, do meu projeto”.

Além dessas experiências, Fabiano Tadeu Grazioli propõe aos seus alunos do Ensino Médio a leitura da ciberpoesia: “Nas aulas de Literatura que ministro para as terceiras séries do Ensino Médio, quando abordo a Poesia Concreta, mostro que com o advento da internet esse tipo de poesia foi facilitada, e que ao texto escrito foi agregado o som, o movimento e a possibilidade de interação. Proponho assim algumas aulas onde os textos que lemos são ciberpoemas e o suporte de leitura, por conseqüência, a tela do computador. Chamo atenção para a possibilidade de se poder ler ‘verticalmente’ na tela, e deixo eles experenciarem, por acreditar que se trata de uma interação significativa com o texto literário. No Curso de Pedagogia, nas disciplinas que ministro, relacionadas literatura e à leitura, também debatemos essa possibilidade”.

O estudo que Fabiano Tadeu Grazioli desenvolverá será sobre os conceitos e as características essenciais da ciberpoesia, bem como sobre a recepção (a leitura) da literatura produzida com os recursos das mídias digitais. O projeto de Fabiano foi selecionado dentre quase 200 inscritos e é um dos três que foram contemplados na região Sul do país. Coincidentemente, no primeiro semestre de 2010, época em que se dedicará à pesquisa, o professor também ministrará a disciplina de “Leitura, literatura, hipermídia e internet” no Curso de Pós Graduação Lato Sensu em Novas Tecnologias para a Educação, na FAE.

Publicado no site http://www.bomdiariogrande.com do dia 26/11/2009.
Publicado no Jornal Diário da Manhã, página 17, edição de 28 e 29 de novembro de 2009.
Imagens do site "O poeta visual", extinto.

4/03/2009

Sem o tempo necessário para escrever aqui...